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14/06/2006 18:38
Ele e os filtros
Todos têm uma história e seus respectivos esquematismos.
Um conhecido, por exemplo, conta da sua ex-amante poderosa. Outro, mais modesto, reparte comigo das suas tristezas cotidianas, como a da eterna história do chefe que lhe tem por alvo...
O ponto de coincidência entre elas é como cada um, com seu filtro, vê Jesus.
O primeiro, teólogo por formação, aprofunda a figura do Filho de Davi numa ética assustadora, cheia de regras, símbolos e rigores quase-terroristas. Este o seu esquema. Talvez - aperto ainda mais minha análise estreita -, seja esse seu kit de sobrevivência num mundo repleto de novas amantes que, agora, devem explodir antes de atacar.
O outro enxerga o Raiz de Judá como alguém que existe num mundo restrito a palavras. Também prático, desfila a cada instante um repertório infindo de "graças" e "pazes", que, aliado a uma freqüência não ordenada aos cultos, transmitem uma frágil impressão do dizer sem vida. Falando em kits, vejo como se o dele fosse aquele do faz-de-conta, onde ele faz-de-conta que é evangélico, e Deus faz-de-conta que acredita ou aceita.
Mas, basta dos retratos, vamos falar de mim.
Como vejo Jesus, e qual meu kit?
Eu sou aquele tipo que suspeita, e apenas suspeita, compreender algo da segunda pessoa da Trindade.
Trato a questão, digamos assim, com um misto de expectativa e desconfiança. Desconfiança não dEle, mas de mim.
Explico: sei que se Ele agisse como muitas vezes acho que deveria agir, também me diria que não veio para mandar descer fogo em pessoas ou cidades.
E essa Verdade me constrange.
Isso porque Ela revela o quão raso sou.
Ilumina também o quão medíocre seria o meu deus, caso eu pudesse, de fato, criá-lo.
Daí porque arrisco dizer que mesmo com fé é, muitas vezes, impossível agradá-lo também.
Isso porque minha fé muitas vezes joga pela acepção, e não o contrário.
E isto é iniquidade.
Como você o vê?
enviada por ricardo
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